Nessa parte do trabalho pretendo desmistificar o conceito de plantas de poder como é
normalmente utilizado. Existe nessa questão uma segregação das plantas ditas comuns da
chamadas plantas de poder, como se as comuns não causassem efeito algum no usuário.
Explicando melhor: é separado como plantas de poder as chamadas plantas enteógenas (do
grego entheos = Deus dentro), que também são conhecidas como “plantas mestres” ou “plantas
sagradas”.
Entre elas encontramos as que causam uma alteração de consciência e são utilizadas
em rituais espirituais, como o cactus Peyote, a bebida Ayahuasca (utilizada nos rituais de Jurema e
Santo Daime), a Datura (planta muitas vezes confundida com a flor de Lírio), uma espécie de Sálvia
chamada de Divinorum, entre muitas outras.
Particularmente prefiro não utilizar essa segregação. Acho que todas as plantas tem uma
função sagrada e causam mudanças internas no usuário.
Desde um simples chá de Boldo até o uso
da pimenta Malagueta na culinária, as plantas mostram seu poder. Depende do grau de interação e
do conhecimento do efeito por quem está utilizando para conseguir o resultado esperado.
É de
conhecimento popular os efeitos benéficos do Boldo para o fígado e estômago, somente isso já
mostra um poder dessa planta. Mas sabendo desse efeito, conhecendo a planta e, se possível
colhendo no momento do uso, o efeito será muito maior.
Outro exemplo é a Datura, planta classificada como enteógena e conhecida como “erva do
diabo”, nome dado pelo antropólogo-xamã Carlos Castaneda. Dela se extrai um princípio ativo
conhecido como Atropina, que é largamente utilizado na indústria farmacêutica para produzir
remédios para problemas renais.
Na Índia, há séculos essa planta é utilizada para fins diuréticos.
Quero dizer com isso tudo que não separo as plantas enteógenas das plantas comuns, todas
são sagradas e por sua vez medicinais. Por isso o uso das plantas em geral deve ser feito com
respeito e conhecimento do poder que cada uma possui.
Desse modo não estaremos banalizando
e nem profanando o poder das plantas. Para os povos nativos Guaranis, o tabaco é uma erva
sagrada, utilizado em rituais, na socialização da comunidade e para fins espirituais.
Já para a
sociedade global, o tabaco foi banalizado e transformado em cigarro, que representa uma droga que
causa dependência e traz transtorno para vida social e problemas de saúde pessoal.
No final do texto segue a relação das plantas de poder utilizadas no curso, com o poder de
cada uma, com base em vivências e experiências de uso pessoal no decorrer de mais de 15 anos de
pesquisa. Volto a afirmar que é necessário uma pesquisa pessoal de cada um que está
experimentando essas plantas, mesmo que o uso seja externo, como propõem-se na confecção dos
fitocosméticos.